Impulsionado pelo programa do governo federal, o crédito consignado para trabalhadores do setor privado registrou forte crescimento nos últimos 12 meses. Dados do Banco Central do Brasil mostram que as concessões dessa modalidade avançaram 276% no período, somando R$ 76,2 bilhões, frente a R$ 20,2 bilhões no ano anterior.
O desempenho fez o saldo total do consignado privado ultrapassar R$ 100 bilhões, alcançando R$ 101,6 bilhões em março — alta de 142,4% em um ano. O volume também puxou o crescimento do consignado total no país, sendo responsável por 85% da expansão no período.
Apesar do avanço, o cenário traz pontos de atenção. A inadimplência vem subindo e chegou a 6,6%, enquanto os juros, embora menores que os do crédito pessoal tradicional, ainda permanecem elevados, em torno de 56,8% ao ano. O aumento do risco está relacionado ao novo perfil de clientes, que inclui trabalhadores com menor renda, menor tempo de emprego e atuação em empresas de menor porte.
Ao mesmo tempo, o consignado para aposentados do INSS apresentou queda nas concessões, impactado por medidas de controle após fraudes. O resultado reforça a mudança no mercado de crédito, com maior protagonismo do consignado privado, mas também novos desafios para equilibrar acesso, custo e risco.
Fonte: Folha de S.Paulo.
👉🏻 O crescimento, no entanto, poderia ser ainda maior caso os bancos já contassem com as garantias do FGTS, conforme previsto no desenho inicial do programa. Além disso, após a nova Resolução do Ministério do Trabalho que limitou a taxa de juros do CET, será fundamental acompanhar se o ritmo de expansão será mantido nos próximos meses. Do nosso lado, como ANEC, seguimos aguardando a confirmação da data de reunião com o Ministro do Trabalho para debater o tema e apresentar propostas que fortaleçam essa linha de crédito, tão relevante para a inclusão financeira no país.

